Orfeu era, na mitologia grega, um excelente músico que chegava a encantar os deuses. Ele ia se casar com Eurídice quando um acidente com uma cobra a matou.
Indignado e muito triste, Orfeu não mediu esforços. Foi buscar sua amada no Reino de Hades, o reino inferior, local para onde iam os todos os mortos.
Para poder voltar com sua amada, Orfeu precisava encantar os governantes do local e para isso, passou por lá um tempo cantando suas lindas músicas. Angariou assim de Hades e Perséfone, Rei e da Rainha do local, a permissão para trazer Eurídice de volta ao reino dos vivos.
Havia, no entanto, uma única condição: que até sair dos limites do inferno, ele não virasse para trás: deveria confiar que Eurídice o estava seguindo.
E assim começou sua jornada.

Mas o caminho era longo e a dúvida começou a atormentá-lo.  E se eles o tivessem o enganado?  Afinal, não ouvia passos ou som algum.  Quase no final, enfezado, Orfeu, com a certeza absoluta de que tinha sido enganado, olhou para trás e acabou vendo Eurídice, pela última vez.
Envolto em tristeza constante, Orfeu nunca mais cantou.


Minhas experiências com Orfeu

Durante minha vida profissional, como consultor estratégico e comercial no mundo corporativo, encontrei vários “Orfeus”.
Encontrei Gerentes de Infraestrutura, Diretores de áreas, Coordenadores que achavam que suas músicas eram lindas e que seus Reis e Rainhas as adoravam, o que não era verdade: a maioria cantava músicas com refrão repetitivo de monitoramento de infraestrutura e reclamavam constantemente de não serem ouvidos.
Suas músicas não cativavam nem mesmo suas equipes de trabalho.  Eram melodias tristes, melancólicas, pois suas letras não abordavam procedimentos estratégicos, não demonstravam ações pró ativas, relatórios conclusivos, tomadas de decisões antecipadas.

Eram letras de Analistas tristes em frente ao computador, sem poder de decisão, olhando o vazio da tela e esperando mais um sinal vermelho de alerta para apenas notificarem seus superiores.
Muitos desses Orfeus estão presos até hoje em seus infernos empresariais, pois seguem sem encantar seus Reis e Rainhas. Insistem nas mesmas músicas e o pior é que sabem que não estão sendo acompanhados pelas suas equipes na jornada para a saída do inferno.
Mas também encontrei Orfeus que conseguiram encantar. Estes cantavam músicas (projetos), apresentaram novas composições (soluções) e eram assim ouvidos por seus Reis e Rainhas pois tocavam melodias realmente bonitas para o mundo corporativo de infraestrutura estratégico.
Abordavam ações e procedimentos baseados nas melhores práticas do mercado, plataformas cross-selling, gestão efetiva de ambientes 24×7, indicadores em real-time, terceirização de equipe, dashboards customizados e o ritmo acelerado dos resultados dessas músicas cativava suas equipes de trabalho, outras áreas da empresa e principalmente seus Reis e Rainhas.


Qual a conclusão?
Se você é um Orfeu responsável pela infraestrutura da sua empresa e não consegue encantar está na hora de mudar seu repertório ou sua forma de cantar.
Hoje, Reis e Rainhas tem que tomar decisões cada vez mais precisas para manterem seus reinados. Seus castelos correm riscos diários e sua população (colaboradores) é cada vez mais pressionada a resultados efetivos e em menor prazo de tempo.
Renove, recrie seu repertório.
Peça para dar uma “palhinha” (POC) e apresente aos seus Reis e Rainhas. Convide seus amigos (Cases de sucesso) e parceiros (integradores e consultores) a participar das serenatas. Traga os melhores cantores (fabricantes) para ouvir suas músicas e incrementarem novas melodias.  Cante para toda a empresa, faça todas as áreas conhecerem suas letras estratégicas.
Seja diferente e usufrua sua caminhada para a saída do inferno grego.
Agora, se você já é um Orfeu de sucesso, não caia na tentação da rotina.
O castelo onde vivem seus Reis e Rainhas é o mesmo que o seu.  Tudo deve estar em sintonia com a estratégia da empresa e cabe a você, Orfeu do mundo atual, gerir a infraestrutura otimizando processos, realizar gerenciamento de forma pró ativa, tomar decisões rápida e precisas, através de reestruturações organizadas.
Só não se esqueça, Orfeu, de não ficar fixado no passado que só deve servir para análise. O que vale mesmo é corrigir o presente e preparar-se para futuro através de um gerenciamento inteligente e inovador.

 

E a tristeza do Orfeu da mitologia, que fique por lá !!