Não importa o quão estreito seja o portão e quão repleta de castigos seja a sentença, eu sou o dono do meu destino, eu sou o capitão da minha alma[1]. – Invictus.

O poema citado (inspiração para o filme de mesmo nome de 2009) foi a inspiração de Nelson Mandela para manter-se vivo quando estava cumprindo pena de trabalhos forçados em Robben Island e nos suscita uma pergunta de grande relevância: em que medida podemos afirmar que somos o capitão de nossas vidas, de nosso trabalho e da área pela qual somos responsável?

Pensando em TI: quantas são as áreas que podem declarar que efetivamente conduzem seu destino e que não são atropeladas por ambientes instáveis, projetos inconsistentes, orçamentos estourados e riscos não gerenciados?

Foram poucas as vezes em que identifiquei ambientes com um framework de Governança de TI que as suportasse nesse patamar.

Na grande maioria das vezes as TI’s reproduzem o mito grego de Sísifo, “…condenado a rolar um rochedo incessantemente até o cimo de uma montanha, de onde a pedra caia de novo por seu próprio peso.”

E como mudar? Como passar a comandar o navio e não ser engolido pela maré?

Já ressaltamos anteriormente que um dos fatores críticos de sucesso é ter a perspicácia para eleger os combater a lutar, ser capaz de priorizar os rochedos que carrega e saber comunicar de forma adequada as montanhas superadas por TI no dia a dia.

Do ponto de vista da instituição é necessário institucionalizar essas práticas, tornando-as um hábito organizacional. Criar um hábito, no entanto, seja no âmbito pessoal ou institucional, não é tarefa simples, pois mexe com padrões de comportamentos muito arraigados.

Dê-me uma alavanca e um ponto de apoio e moverei o mundo” nos ensinou Arquimedes.

No ambiente corporativo as alavancas para a mudança estão relacionadas a ter um framework de Governança de TI com mecanismos que direcionem as decisões, acompanhem e avaliem a tomada de decisão e os resultados obtidos garantindo o alinhamento com as prioridades organizacionais e a agilidade necessária para o negócio.

São várias as alavancas que compõe um Framework de Governança de TI: a Gestão de Portfólio de Projetos, Gestão do Portfólio de Serviços, Plano Diretor de Tecnologia, Comitês Executivos, Gestão dos Indicadores, entre outros.

O desafio é saber extrair das melhores práticas os elementos necessários para compor e implantar as alavancas institucionais mais adequadas à cultura da Instituição.

Arquimedes, no entanto, ensinou que, além da alavanca, é necessário um ponto e apoio. Nesse caso o ponto de apoio está relacionado à existência de uma Direção de TI que saiba comunicar adequadamente os desafios e práticas de TI e garanta o Sponsorship da Alta Gestão da Organização. Portanto, buscar esse consenso através de uma eficiente comunicação dos resultados de TI é elemento fundamental para o mecanismo de alavancas necessário para mudança organizacional.

Conta-se que Arquimedes[2], em uma demonstração de seu teorema para o rei Hieron, fez com que levassem para a terra um navio de transporte de três mastros da marinha real e, sentado a distância e sem esforço, acionou uma máquina composta por diversas polias de forma a deslocar o navio sem esforço ou sobressaltos. O rei então maravilhado mudou a história das guerras de seu tempo contratando-o para construir máquinas para ataque e defesa para seu país.

Esse é um exemplo de como, com a correta estrutura de alavancas e apoios, é possível modificar a cultura de uma organização, ambiente ou país.

As alavancas de seu Framework de Governança de TI estão sendo utilizadas a proveito da TI? E seus pontos de apoio estão consolidados?

[1] Invictus – Willian Ernest Henley

[2] Vie de Marcellus, trad. Amyot, La Pleiade  Apud Latour, Bruno, Jamais fomos modernos : ensaio de antropologia Simétrica / Bruno Latour; tradução de Carlos lrineu cia Costa. _ Rio de Janeiro: Ed. 34, 1994